Noutro dia qualquer
Apetecia-me pegar e gravar tudo que tenho para te dizer, e num rewind de fast forward teimoso andar ali minuciosamente a encontrar a entoação perfeita para que nada ficasse por dizer. Depois colocava tudo num cartão de memória e oferecia-te embrulhado em papel de rebuçado, daqueles de cor de infância quase a saber a caramelo, e dizia toma, agora é tua a faculdade de quereres ou não assimilar o que te digo incansavelmente como um doido a tocar a mesma melodia nas teclas impassíveis. Isso era se funcionássemos com cartões de memória, com pastas e arquivos top secret, mas funcionamos a condimentos: condimentos de cheiros e cores, de palavras e acordes numa onomatopeia quase louca quase pouca para tanta vida que se enrola e desenrola.
Outro dia nas partículas que levitam entre um raio de sol e o cansado soalho de madeira dei por mim a transportar-me para uma tarde qualquer, noutro dia qualquer em que só o teu olhar me chegava para me fazer feliz, é o cansaço que nos vence. Vence-nos a esperança, os sonhos e os pesadelos, vence-nos paulatinamente por inteiro deixando entre nós e o que fomos qualquer coisa de nada, qualquer coisa de ser.
Subíamos as ruas a sorrir, não perdíamos o fôlego, a vida corria e o tempo passava de outra maneira, os dias tinham outra dimensão dentro do tempo, as esplanadas enchiam-se de segredos e histórias para contar, cada frase alcançava o mundo e o mundo todo era o nosso mundo, tanto tempo, a vida toda pela frente qual promessa de imortalidade. As horas passavam devagar, saltávamos as indicações para nos perdermos no mundo, distantes dos outros e tão próximos de nós, e nas horas em que nos tínhamos sem nos distanciamos para nada mais ver, a medo despertávamos. Mimas-me demais, impaciento-me nestes dias em que toda a gente tem algo para querer, exigir, já! O verbo preferido das pessoas é agora e agora queixa-se de já não ser advérbio, é a vida, eu também já não sou criança and nothing nada lasts forever even cold November rain…
Outro dia nas partículas que levitam entre um raio de sol e o cansado soalho de madeira dei por mim a transportar-me para uma tarde qualquer, noutro dia qualquer em que só o teu olhar me chegava para me fazer feliz, é o cansaço que nos vence. Vence-nos a esperança, os sonhos e os pesadelos, vence-nos paulatinamente por inteiro deixando entre nós e o que fomos qualquer coisa de nada, qualquer coisa de ser.
Subíamos as ruas a sorrir, não perdíamos o fôlego, a vida corria e o tempo passava de outra maneira, os dias tinham outra dimensão dentro do tempo, as esplanadas enchiam-se de segredos e histórias para contar, cada frase alcançava o mundo e o mundo todo era o nosso mundo, tanto tempo, a vida toda pela frente qual promessa de imortalidade. As horas passavam devagar, saltávamos as indicações para nos perdermos no mundo, distantes dos outros e tão próximos de nós, e nas horas em que nos tínhamos sem nos distanciamos para nada mais ver, a medo despertávamos. Mimas-me demais, impaciento-me nestes dias em que toda a gente tem algo para querer, exigir, já! O verbo preferido das pessoas é agora e agora queixa-se de já não ser advérbio, é a vida, eu também já não sou criança and nothing nada lasts forever even cold November rain…
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2 comentários:
A menina até pode gravar, porquê não? Grava e coloca aqui - seria giro ouvir essa entoação perfeita e imaginá-la embrulhada em papel de cor de infância (de inocência).
Que nostalgia do passado ou é impressão minha?!
Ó tempo volta para trás...
A chuva de Novembro tem tempo limitado...
O pó do soalho e os raios de sol - quando era menina deliciava-me a "contar estrelas" no pó do soalho da casa da avó, ficando horas a fio, como ela dizia, a olhar para o nada. Nada que não era nada! Eram somente estrelas... de pó.
O AGORA é o ontem e o amanhã. Eu quero viver um agora longe de um "já" que só serve para atormentar o tempo.
Nos últimos anos aprendi uma grande lição: Nunca adiantar o tempo ao tempo, e nunca virar as costas ao tempo...
A vida passa por nós 60 segundo por minuto. O ideal seria ignorar o tempo e viver cada segundo progressivamente sem as dores do passado e os receios do futuro.
Eu queria querer fazer do meu tempo uma vida que não me deixasse vontade de fazer rewinds porque cada momento seria único. Não será possível tb, mas... eu queria. E como queria e não digo Quero que é para não parecer demasiada utópica, eu hoje vou continuar a "limpar gavetas" :)
* nunca pensei ter a "ilha do tesouro" em minha casa. digamos que se trata de um "rewind" forçado ;)
Beijos muitos
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